maíra spanghero


queens market

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Essa semana estive no Queens Market, seguindo meu objetivo de conhecer um pouquinho da cidade de Londres a cada semana. O mercado fica na Green Street, E13, metrô Upton Mark. Eu havia lido que se eu quisesse ir para a Índia que só os indianos conhecem, bastava pegar a district line do metrô na direção leste, que eu chegaria em Bombaim…bem pertinho da estação, o mercado me pareceu um pouco diferente. A feira não deixa de ser, no mínimo, curiosa. A barraca do peixe fica na frente da dos eletrônicos – que lembra qualquer camelô brasileiro – e dos sapatos. Há muitos tecidos, saris e burcas à venda junto com frutas, verduras e carnes. Galinhas cruas, defumadas e penduradas compartilham o mesmo espaço com itens de cozinha, cachecóis e bugigangas. Em uma das bancas você pode escolher o tecido entre dezenas de opções, a indiana tira suas medidas e costura um traje  em poucos minutos e você pode sair paramentada de lá. Muitos frequentadores são indianos (ou de origem indiana) e muitos são paquistaneses. As mulheres de burca ainda me impressionam muito, embora eu as veja por todos os lugares. Muitas ficam só com os olhinhos de fora. O resto do corpo está coberto por um vestido preto até os pés e as mãos. Elas não podem mostrar beleza mas eu me pergunto se elas não acabam despertando mais curiosidade ainda. O que será que escondem?

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A barraca mais cheia é a das bolsas. Coloridas, brilhantes, baratas e muito bregas, na minha singela opinião. Por cinco pounds, a mulherada briga por lugar na frente e, apesar, das diferentes vestimentas, parecem todas iguais, como em qualquer lugar onde elas se amontoam atrás de promoções para….se embelezar! A imagem me chamou tanto a atenção que resolvi tirar uma foto. Peguei a máquina da minha amiga Letícia emprestada e quando apertei o botão, shak!, o flash disparou! Elas viraram para trás para ver da onde veio a luz e lá estava eu com a máquina em punho. Me fiz de desentendida, mudei de posição e arrisquei mais uma foto. Notei que umas duas ou três me olhavam feio, fixamente, quando um homem se aproximou, dizendo, simpático, que muitas muçulmanas não gostavam de fotos por causa da religião. De alguma forma muito gentil ele solicitou que não tirasse mais nenhuma. Bem-humorada, eu perguntei se aquele era o seu business, o que ele confirmou. Perguntei, também, se ele estava satisfeito com tantas mulheres cercando seu negócio. Como eu dei ênfase na palavra “women”, ele rebateu: “não gosto de mulheres gosto de dinheiro”…e olha que ele não parecia nem um pouco gay. Javed é seu nome. Contou-me que deixou o Paquistão há 14 anos segundo ele porque lá é muito turbulento, com muitas brigas e por causa do Taliban. Um outro senhor paquistanês, sem dentes, falou que prefere Londres por causa da temperatura, “lá é muito quente”, ele disse.

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Aproveitei a viagem e dei uma volta rápida pela rua. Há muitas lojas com produtos de beleza, algumas com roupas e bijuterias indianas. Como também sou filha de deus, fiz umas comprinhas básicas e por elas dá para se ter uma idéia do que aconteceu com um mercado que diziam ser o lugar onde os indianos se sentiam em casa. Por um pound cada um, embolsei dois tubos (com bico aplicador) de henna para para fazer tatuagem nas mãos e nos pés, comi duas samosas fresquinhas por 70 centavos as duas, por cinco pounds escolhi três cachecóis entre dezenas de modelos à mostra. Comprei também um bálsamo chinês para minha tia indicado para o alívio rápido das dores reumáticas e provenientes da artrite. Encontrei um “tiger balm”, de Singapura, para dores musculares, picadas de inseto, dor de cabeça e coceira. Por fim, numa loja chamada Zamzam International comprei uma “echarpe” vermelha e de origem arábica (dessas que já viraram arroz de festa no Brasil) por cinco libras. A loja é especializada em livros, vídeos e áudios islâmicos, perfumes sem álcool, água zamzam (?), roupas e outros itens aderentes ao segmento. Na sacolinha, propaganda do óleo Kalonji: “Com o óleo da semente preta há cura para toda doença, menos a morte” (Bukhari & Muslim)

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Moral da história:

made in China is everywhere!

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P.S. Coincidentemente li essa citação esses dias: “A burca não tem nada de símbolo religioso. É sinal de vínculo ao fundamentalismo. Significa que as mulheres não devem ter lugar na esfera pública. Devemos aceitar essa concepção do lugar da mulher? Cem vezes não”.
(Luc Ferry, filósofo francês)


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