maíra spanghero


PREVENTING DANCE INJURY RESEARCH AND MOTION CAPTURE
17/06/2012, 10:39 PM
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HIPERTEXTO PARA RÓTULO DE ESPETÁCULO DE DANÇA

 

Foto: Tiago Lima

Crítica premiada em primeiro lugar no edital de Crítica de Arte da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) em 2012.

Por Maíra Spanghero

As luzes se acendem e a música Blue Moon começa. Há todo um clima no ar quando o rapaz entra, fazendo charme, uma mão em cada bolso da bermuda. O cenário é artificial como um filme de Hollywood e feito com caixas de arquivo coloridas. Vestido de Clark Kent o rapaz não é Neto Machado. É, na verdade, um super herói disfarçado. No plano conjunto ele está em composição com o todo, quase uma fotografia. Enquadrado em plano aberto, da cabeça aos pés, parece um personagem de história em quadrinhos, quase imóvel. Em um close vemos seus lábios cantarem junto com Diane Draw. Com o passar do tempo um recorte em plano americano revela que parte de seu corpo vai ganhando movimento passo a passo, até se tornar um desenho animado antes de ser animado. O início de KODAK, o mais recente trabalho concebido pelo artista curitibano, integrante da Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial, revela um interesse translúcido pela sétima arte!

Lento e pausado, com música instrumental ao fundo, Clark Kent/Neto Machado decupa – corta em pedaços – uma ação ordinária e fluida, como a de desabotoar uma camisa. O movimento é engasgado, mecânico, linear e fragmentado. Como nas centenas de fotografias de Eadweard Muybridge (1830-1904), pioneiro dos estudos visuais da locomoção humana e animal. Ambos estudam o movimento com um procedimento comum: o stop motion, técnica que consiste em congelar uma ação quadro-a-quadro para que, quando colocados um após o outro num dado intervalo de tempo, nos causem a ilusão de movimento. A diferença entre eles é que Muybridge divide o movimento dinâmico usando dispositivos mecânicos para capturá-lo. Para Neto, o cinema seria, então, “a ilusão do movimento enquanto KODAK é a ilusão do não-movimento, que sempre existe, por menor que seja, em um corpo vivo”. Como é sabido, essa ilusão só é possível devido ao fenômeno conhecido por “persistência da retina”, característica que nossos olhos têm em continuar percebendo cores e imagens mesmo que a referência exterior já tenha desaparecido. Goethe é um dos primeiros a se interessar por isto em seu Tratado das Cores, de 1810.

A animação stop motion tem uma história antiga com o cinema e foi frequentemente usada para mostrar objetos se movendo como se fosse mágica. A primeira experiência é creditada a Albert E. Smith e ao ilusionista e diretor britânico J. Stuart Blackton por The Humpty Dumpty Circus (1897), no qual acrobatas e animais de brinquedo são trazidos à vida. A mesma técnica foi usada no clipe da banda ‪The White Stripes, o famoso Fell in Love with a Girl, uma das referências explícitas do espetáculo KODAK.

O procedimento, que surgiu no solo anterior de Neto (MOODE – 2010), trouxe consigo todo um campo temático relacionado com séries televisivas e cultura pop japonesa (Jaspion, ChangeMan, Tokusatsu) dos anos 80 em diante, com questões de identidade e gênero que passam a ocupar a pauta de inúmeros debates e setores da sociedade, com brincadeiras infantis e por aí vai. Faz todo o sentido. Afinal, o que esperar de um menino nascido em 1985, como ele mesmo diz, “um piá de playground, que jogou bola na garagem do prédio e aprendeu a dançar com Michael Jackson, gravando e vendo os seus clipes em videocassetes?”

CORTA!

Ação! O carro entra e foge em disparada. Ouvem-se gritos. Bombas explodem. Prédios inteiros são destruídos. O cenário é devastador. O monstro está à solta. Por fim, o herói chega para salvar o mocinho em perigo (“eu sou o super herói mas eu o desejo”). Será um homem? Será uma máquina? Ele se confunde com o King Kong. O herói ensaiou lutas e golpes sob technicolor, “atirou” imagens com seu super projetor portátil de raios lasers, foi atingido, morreu, mas voltou vivo depois do comercial. Pois que seja, visto que o mundo de KODAK não é feito para durar como as fotos. Tudo se constrói e se destrói com a mesma facilidade. É um mundo de plástico, que pode ser reconstruído e transformado, como as peças de um Lego.

A marca KODAK foi criada por George Eastman em 1854. A partir de 1888, ele passa a vender câmeras portáteis com rolos de filme de cem poses e cria o famoso slogan: “você aperta o botão e nós fazemos o resto”. É um nome que nada significa, mas que pode ser falado em qualquer língua. Por que dar ao nome do espetáculo uma patente conhecida? O espetáculo é um produto para brincar? Ele produz imagens que nos causarão satisfação e momentos tão bons como os que gostamos de fotografar? Ele nos faz lembrar de nós mesmos e nosso passado? É uma peça de colecionador? Ou será pura publicidade? Você decide o(s) foco(s), mas eu garanto: é, no mínimo, muito divertido.

KODAK é um espetáculo de dança para crianças, adolescentes e adultos. A classificação é livre, mas a indicação é obrigatória.





Vida de motorista
05/03/2012, 2:36 PM
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Depois de 41 anos andando no colo, de velocípede, bicicleta, carona, trem, ônibus, metrô e taxi, agora eu “ando” de carro há um mês. Sinto que minha vida, digamos assim, melhorou. Ao menos essa parte administrativa do dia-a-dia – supermercado, cabeleireiro, restaurante, farmácia, praia – facilitou muito. A vida moderna das cidades, com seus shoppings, estacionamentos e ruas, é feita para os carros. Por um lado me sinto mais segura do que andando a pé, por outro os riscos e perigos do trânsito soteropolitano talvez até me deixem menos segura do que eu penso. Notei que estava pegando o carro até para ir até o posto de gasolina, pouco mais de uma quadra para baixo da minha rua, tomar café e comer pão de queijo no 24 horas deles. Primeiro, considerei meio absurdo e sedentário. Depois, fui me dando conta de que, ao caminhar essa trecho, como tantas e tantas e tantas vezes eu fiz ao longo deste um ano que moro aqui, eu encontro calçadas: destruídas, com carros estacionados, cocô de cachorro e lixo. Chegando ao fim da minha rua, para atravessar a Rua Oswaldo Cruz de uma margem para outra, é preciso andar até a sinaleira e esperar eternos 10 minutos. Dependendo do horário, o que significa o dia todo em Salvador, o sol e o calor são insuportáveis. Não há árvores ao longo do trecho, apenas uma do lado direito. Foi assim que me dei conta de que meu corpo sabe que é muito mais agradável ir de carro, no ar condicionado e, se quiser, com som ligado. Mesmo que eu tenha que esperar, é mais confortável. Com isso, cheguei a constatação (óbvia) de que todas minhas tentativas de ser uma pedestre nessa cidade (e não estou falando de pegar o carro para ir caminhar num curto trecho da orla, nas imediações da Amaralina até _____, onde tem estradinha para pedestre e bicicleta) eram tão incômodas – que perdia mais a vontade a cada tentativa. É fato: as cidades não tem mais espaço para os caminhantes e sim para os automóveis. Tudo é mais fácil de carro. Até ficar presa no engarrafamento é mais legal se você está de carro, principalmente, se estiver um calor insuportável. Caso contrário, é possível que você esteja num veículo público sujo, como é o caso de Salvador, e com alguém escutando uma música de gosto duvidoso numa altura descabida. Sempre peguei ônibus para trabalhar, estudar e me divertir. Conheço bem o ritual, os problemas, o custo x benefício, os perigos, o tempo gasto quando se é passageiro. E, como diz a piadinha, tirando o motorista e o cobrador, o resto é tudo passageiro. Andar de ônibus na Europa, pelo menos nos lugares em que andei, foi melhor que aqui. Em Londres era excelente. Tudo funcionava bem, tinha linhas 24 horas, segurança e um serviço telefônico, também 24horas, aonde você consulta rotas e trechos. Tudo organizado e lógico. Aqui também deve ter sua lógica, mas eu ainda entendo pouco dela. Por isso, redobro a atenção e evito horários muitos tensos para por o pé na estrada. Hoje, um ônibus quase bateu na frente do meu carro e, o pior, a culpa seria minha (e do Estado pela má prestação de serviços). Ele freou e eu freei, meio segundo depois. Não chegou a sujar a pista com o pneu porque eu estava devagar, mas podia ter batido. Eu estava entrando numa pista secundária, saindo do Ceasinha, no Rio Vermelho. Não tinha sinalização. Eu olhei para um lado e estava tudo vazio. Fui acelerando e olhando para a esquerda e o ônibus freou, o motorista levantou os braços reclamando e, eu, com os olhos arregalados, repetia desculpas. Achei que ele vinha rápido demais para aquela situação. Ainda bem não aconteceu nada mais grave. Ali está tudo uma bagunça com a mudança das lojinhas para o galpão ao lado. É tipo um salve quem puder, tudo muito confuso, sem sinalização, sem suporte da policia do trânsito. É lamentável que nossas cidades não tenham um planejamento que inclua o pedestre, a bicicleta, o patins, o skate em suas faixas de tráfego. Isso diminuiria o tráfego de veículos, a poluição e os custos com saúde, na medida em que menos sedentarismo implica em menos doenças. Aumentaria o contato humano, também. Junto com isso, se os taxis fossem mais baratos, mais pessoas poderiam utilizá-los com maior constância, deixando seus carros na garagem e, consequentemente, baixando a circulação de veículos. Algumas cidades por onde passei ou morei conseguiram incluir o passo e a pedalada como uma medida respeitável de deslocamento. No Brasil, ainda gostamos de sofrer e sonhar com o financiamento (por sinal, caríssimo mas dissolvido em suaves prestações) de um carro novo. “Quem anda de ônibus”, como ouvi de uma passageira no trecho Ondina-Rio Vermelho (na linha Villas do Atlântico), “só anda porque não pode comprar um carro. Se eu pudesse, não estaria aqui”. É melhor sonhar em ter um carro do que exigir um transporte público PAGO respeitoso e formas seguras de transporte alternativo. Em Nova Iorque é brega ter carro, o chique é andar de botas!



FOTO COMBORAMI PARA DOWNLOAD (FILE)
28/02/2012, 1:39 PM
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COMBORAMI
Crédito imagem: Maíra Spanghero



Beyoncé e De Keersmaeker: entre o plágio e o sampler
12/10/2011, 1:08 PM
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Imagine a surpresa que a renomada coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker teve ao receber uma mensagem vinda do Facebook perguntando se ela havia vendido suas coreografias Rosas danst Rosas (1983) e Achterland (1990) para o circuito comercial, já que elas estão presentes no novo videoclipe da cantora Beyoncé, o Countdown! Na nota divulgada sexta-feira passada pela assessoria da diretora da companhia Rosas, ela não foi consultada, não forneceu nenhuma autorização e solicitou que o advogado da companhia entrasse em contato com o agente de Beyoncé. Se obras de arte têm sido frequentemente referência para outros trabalhos, seria correto a coreógrafa acusar a estrela pop R&B por plágio?

O acontecido levanta uma nuvem de perguntas e questões consideravelmente relevantes como, por exemplo, as relacionadas com autoria, cultura digital e indústria cultural. Atualmente, computadores e internet juntos permitem, com uma facilidade técnica incrível, aquilo que é da natureza de toda cultura que se pretende manter viva: a transmissão e a replicação das informações que estão organizadas de um modo tal que o diferencia dos demais. Acontece que, no ato de replicar e por encontrar um novo ambiente (um cérebro, uma mídia) a informação se altera, se recombina e se transforma. No ambiente digital, o sampler é o arroz com feijão. Todo mundo que quiser pode acessar informações alheias e compartilhar – um modo politicamente correto que o Facebook encontrou para o velho e sorrateiro copiar e colar. No corpo e em processos de aprendizagem o correlato do copy/paste talvez seja a imitação, procedimento potente e eficiente para aprender coisas novas, não só na espécie humana.

A polêmica vem dividindo opiniões. Há quem diga que a notícia seja um sintoma da cultura contemporânea, muitos gostaram da novidade, outros estão convictos de que se trata de cópia descarada com fins lucrativos e outros tantos observam o fenômeno com curiosidade. Mas o que pensa a coreógrafa belga a esse respeito?

“Quando eu vi o vídeo, fiquei chocada pela semelhança do clipe de Beyoncé não apenas com os movimentos de Rosas danst Rosas, mas também, com os figurinos, o cenário e até as tomadas do filme de Thierry De Mey. Obviamente, Beyoncé, ou o diretor do vídeo clipe Adria Petty, roubou muitos pedaços de cenas do filme, mas o vídeo clipe está longe de mostrar todos os materiais que Beyoncé pegou de Rosas em Countdown. Há muitos movimentos tomados de Achterland mas eles estão menos visíveis por conta na diferença estética”, declara a coreógrafa. Que a cópia é evidente ninguém nega, mas a visibilidade que o material copiado teve (ou seja, dança contemporânea) foi a jamais sonhada. Só que isso só aconteceu por conta da repercussão da denúncia e, especialmente porque a “acusada” é uma megastar do que propriamente pela fama da dança contemporânea, verdade seja dita.

De Keersmaeker conta estar ciente disso ao dizer que, “de um lado, estou contente que Rosas danst Rosas possa ter alcançado uma audiência em massa que uma apresentação de dança poderia nunca conseguir, mesmo com toda sua popularidade no mundo da dança desde dos anos 80. E, Beyoncé não é a pior copycat, ela canta e dança muito bem, e tem bom gosto! De outro lado, há protocolos e consequências para tais ações que eu não posso crer que ela e seu time não estivessem cientes”.

O evento não tirou a coreógrafa do sério, “pelo contrário, me fez pensar algumas coisas como, por que leva 30 anos para a cultura popular de massa reconhecer um trabalho experimental de dança? Isso significa que 30 anos é o tempo que leva para se reciclar performance experimental non-mainstream?”. E o que dizer de Rosas danst Rosas? “Nos anos 80, a coreografia foi vista como uma afirmação do poder da mulher, baseado numa postura feminina na expressão sexual. Agora que assisto a Beyoncé dançando, acho prazeroso mas não vejo nenhuma ponte com isso. É sedutor em termos de divertimento consumista”. E só.

No fim de sua declaração, De Keersmaeker chama atenção para uma coincidência engraçada. Beyoncé gravou Countdown grávida de quatro meses. Em 1996, na época em que a videodança de Thierry De Mey ficou pronta, a coreógrafa também estava grávida de seu segundo filho. “Então”, finaliza ela, “eu só posso desejar para ela a mesma alegria que minha filha trouxe para mim”.

Clique aqui para ver o video editado pela Studio Brussel.



Beyoncé copies choreographies of Rosas in her new videoclip “Countdown” // Beyoncé copia coreografias de Rosas em seu novo videoclipe “Countdown”
08/10/2011, 4:34 PM
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American queen of R&B Beyoncé has copied in her new videoclip some excerpts from Anne Teresa De Keersmaeker’s choreography Rosas danst Rosas (1983). A rainha americana Beyoncé copiou em seu novo videoclipe alguns trechos da coreografia Rosas danst Rosas (1983) de Anne Teresa De Keersmaeker.

Almost identical fragments of the film Rosas dans Rosas made by Thierry De Mey in 1997 are used in the videoclip. Some dancematerial from the film Achterland (1990) are also used. Rosas hasn’t given any authorization for this and the company has asked her lawyer to contact Beyoncé’s management. Fragmentos praticamente idênticos do filme Rosas danst Rosas realizado po Thierry De Mey em 1997 são usados em seu videociple, o que inclui inclusive os figurinos. A companhia belga Rosas não foi consultada, não forneceu nenhuma autorização e solicitou que seu advogado entre em contato com o manement de Beyoncé.

Pictures in attachment are taken from Countdown, and make the resemblance very clear. As imagens, tiradas de Countdown, deixam as similaridades bem claras.


Watch Countdown Assista Countdown

Watch an extract of Rosas danst Rosas Assista um trecho de Rosas danst Rosas

[Press release from Johanne de Bie/Press & Communication/Rosas]



Tecnologia para entender dança: as notações coreográficas
05/05/2011, 3:55 AM
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Clique aqui para ler o texto
Publicado no periódico MORINGA – Artes do Espetáculo.
Publicação semestral do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Fomenta o diálogo interdisciplinar no campo das artes do espetáculo (teatro, dança, artes visuais, performance).
Vol. 2, No 1 (2011)




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